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segunda-feira, 30 de junho de 2014

MEDO

Do que tens medo?
Da escuridão?
De viver?
Dos outros então!
Todos tem um ponto em comum a esconder
No jogo bruto em que vivemos 
É estranho conviver com as brumas 
Que esconde o sentido absoluto 
Do mundo da razão navalha.

TELEVISÃO

Imagens coloridas
Identificadas na retina 
Mensagem televisava
Inércia na poltrona de um plano perdido
Tolices alimentantes da mente
Rodopiam as dilatadas pupilas
Com o vazio da alma
Já que os sonhos se vão 
E sempre voltam 
Na quarta parte do partido filme noir 
Imagens de tempos pretéritos
Finda a madrugada 
No som que acompanha a morte...

SONATA DE INVERNO

Acordei na madrugada 
Com uma bela musica 
Soando suavemente pelos cômodos da casa
Preenchendo com calor o prenuncio do inverno que logo chegará
Deixe-me levar
Auscultando o coração 
Ritmado a cada acorde 
Sussurro de lascivas poesias azuis
Por horas, 
Infindáveis minutos
Senti-me seguro, ancorado 
Protegido no refugio sagrado
Porto acolhedor 
Escudo das tormentas 
Fatigadoras do espirito
Não mais lacrimoso
Pois nessa madrugada 
Encontrou a serenidade
Na suave musica que trouxe a ti 
Para perto de mim.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

DIZERES NOTURNOS

Mente por quê mente
Alcova vazia
Em solidão 
Palavras sonhos perdidos 
Dizeres noturnos
Dor riscada a ponta de adaga
Traçado bizarro no branco parede
Versos iletrados iluminados pela 
Puta midiática platinada. 

MADRUGADA 67

Longa é a viagem
Duma alma doce
Dança, ri e chora
Madrugada adentro
Aguarda o grito primal do sol
Ardente face luminosa do cinza da metrópole
Madrugada 67,
Sereno quente,
Suor amargo
Imagens retorcidas 
Visão conhaque vadio
Sentinela posta no espelho dor que agora fecha suas portas.


sexta-feira, 13 de junho de 2014

HOJE IREI PARTIR

Hoje irei partir
Sem deixar razão
Nem cartas, nem fotos
Apenas restará as marcas
Do ódio e do amor
Que deixei nos corações que conheci
Hoje irei partir
Minha imagem desaparecerá
Como fumo de um cigarro aceso ao entardecer
Hoje irei partir 
Para onde perguntas?
Para  seus sonhos ou pesadelos.

UM SOLO AO AMANHECER

Um toque de dor 
Na cidade adormecida
Leve a música flutua 
Feito sussurro espirito 
Raia o triste dia
A noite deveria ser eterna
Cadeiras e mesas,
Vazias taças de vinho
Um solo ao amanhecer
Melodia para andarilhos insones da noite
Que agora dormem.

PAREDES FRIAS

Velhas paredes frias
Esverdeado bolor transpiração
Lágrimas apaixonadas
De amor, de dor, de vida
Longe da verdade
Perto do caos
Engoli a  boca ácrata 
O ranço expelido das mudas paredes
Sobrevivência anacrônica do ser imperfeito. 

DANÇANDO COM A MORTE

Numa estrada solitária
Eu caminhava
Numa estrada vazia 
Eu vadiava
Suave se fazia a música 
com o vento que assobiava estridente 
Numa estrada abandonada
Encontrei com quem bailar
Ela dança como ninguém
Numa estrada escura
Cai de exaustam 
Numa estrada 
Dancei com a morte.


HOJE É 26

O engolir seco
Tempo que  passa
Rola lenta 
Lágrimas pelo rosto de mármore
Hoje é 26
Amanhã será 27
O que importa isso para nós
Vivemos da mentira em nossa solidão
Poeiras sobre os móveis,
Teias aos cantos, a lembrar
Velho tempo que passou
Lembranças de letras perdidas
Ásperas e rudes
Como o solo estéril da cidade 
Que recebe a chuva sem fecundá-la
Hoje é 26
É madrugada
Amanhã sofrerei novamente
Com o chegar da noite.

RASGA MORTALHA

Dança social,
Dança da morte,
Gire, pule, cante 
Cego a observar 
Dance a musica estonteante de instrumentistas diáfanos
Na melodia hipócrita do aceitar inconteste 
Brancas nuvens passam por sobre milha cabeça
Ouvi a rasga mortalha piar
Logo chegará para a mortalha  rasgar
Deixando a mostra o peito aberto
Daquele que amou o sentido do ato de amar.  

HORIZONTE OBLÍQUO

Vagando no espaço infinito
Perdido em retas análogas
Ridículas retas  cartesianas
Perguntas aos gritos
Com o sangue nas mãos 
Queimei o meu olho esquerdo com o destro punho
Ignóbil clamor do crepúsculo 
Amargo delírio 
Pujante na noite que se anuncia
O quê sou hoje?
Verdades falsas num horizonte oblíquo.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

SENTADO EM CATACUMBAS

Alta lua
Sentado em catacumbas
Rasgou a noite o ultimo expresso 
Convidado dos vermes 
Vi o banquetear-se da putrefata carne
Do Eu defunto 

ESCASSEZ

O cinza das paredes mal acabadas
Máscaras sinistras silentes a observarem
Meia noite
Escura e fria
Corpos vazios 
Almas em conflitos
No inverno passado 
Eu fui até o cemitério
Chorar sobre sua lápide 
Terminar e continuar
tudo perdido num labirinto
Escassez de versos,
Lembranças mortas 
De quem não aprendeu a amar.

PORÃO

Inflexíveis pensamentos 
Decubitos largados ao solo
Em sussurros cânticos
Desfalece o corpo
Orgulho ego animal 
Razões sustentadas, 
De que nada valem
Dogmas correntes
Nesse porão 
Busco o refugio embolorado 
Da boca seca,
Dos olhos vermelhos,
Certeza de que chegou a hora 
De enfrentar o Eu.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ROSAS DA METROPOLE

Pálidas pétulas 
Manchadas de sangue
Nascidas entre as frestas 
Do cinza amorfo
Concreto equalizado no caos 
Labirinto de formas, luzes e som 
Amalgama persona incógnita
Concreto, ferro e solidão 
Visão que saem pelas bocas vermelhas esmurradas
Ser alguém e não ser ninguém 
Rosas da metrópole que lhe engole dia a dia.  

terça-feira, 3 de junho de 2014

CARPE DIEM


Quero o azul como manto a proteger
Meus sonhos, essência do existir
Quero o som de todos os cantos a preencher
Meus sentidos, movimento constante da transformação
Quero as palavras como expressões do que é ou poderá ser
Minha direção no encontro e desencontro do eu ante os outros
Quero o sorrir e as lágrimas para sentimentos ter
Meu aprendizado, libertação dos grilhões da escuridão da ignorância
Quero uma bela semana para aproveitar cada dia como se fosse o último
Pois para viver é necessário saber resistir para a certeza do existir.