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domingo, 20 de dezembro de 2009

HERANÇA

Doze badaladas os sinos dobraram
No campanário da velha igreja
Iluminou a lua o gládio empunhado
Pelo soldado avernal
envolto em fumo espesso
Aproximou-se a soturna figura
Olhos flamejantes reluziram
Na penumbra da madrugada sombria
Propagou-se ao vento a voz profunda:
- Eis o gládio que lhe pertence!
Com o frio metal em mãos
Cravei esta herança
No solo consagrado
Ao lado da torre norte
Da velha igreja.

PRESENTE

Chegue cedo esta noite
Apague as velas
Feche a janela do meu quarto
Venha até o meu leito
Deite-se despida
Contorne o meu dorso nu
com um abraço quente
Sussurre em meu ouvido
Adormeça na certeza
De que você esta no meu sonho.

MEL DO FEL

Senti o mel nos lábios
Verti o fel pelas entranhas
O sonho de ontem
É uma vã esperança hoje
dum futuro incerto
Visão insone
Que percorre a madrugada
A procura da ternura de outrora
Dos dias chuvosos de abril.

SOLAR

Rompendo o véu noturno
Fulgás saudade
Miragem solar incandescente
Tão Perto,
Tão Longe das ávidas mãos impuras
Fica o desejo da alma
No velar silente
do sono inocente
Jaz o ser
sob o calor vermelho
Apaziguado adormece
O coração apaixonado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

DIA DOS MORTOS




Esvai-se a vida repentinamente
Hoje os mortos fazem aniversário
Segue o seu caminho retilineo
A imcompreendida ceifadora
O quê sobrou?
Somente o alimento dos vermes!
Fertil é o solo deste jardim de pedras
Semeado encontra-se as respostas
Aguardando a próxima colheita
Gravado em negro a única verdade
Sobre a cidade de mármore
As lágrimas dos que partiram
Sem dizer adeus
Hoje é o dia do nosso futuro,
A certeza do nosso presente,
O retorno ao passado...
Ao fechar dos olhos
Translúcidas imagens
Proto existência
Hoje os mortos fazem aniversário
Sorria ao ascender
A cera funéria
Pois a vida esvai-se repentinamente

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

DESCONHECIDO




O cinza das paredes mal acabadas
Sinistras máscaras vigilantes
Meia luz,
Corpo suado.
Alma em conflito...
No inverno passado fui até o cemitério
chorei por um morto incógnito
Morte, pó e vento.