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domingo, 25 de dezembro de 2011

SILÊNCIO

O meu silêncio
É minha voz
Só o tempo poderá dizer o que realmente houve,
Só o tempo poderá fechar as minhas feridas...
A doce ceifadora vaga pelos campos
Silêncio e tristeza
A vida é dolorosa para quem não há vive
No velho muro escrevi em rubro sangue
A dor que carrego como fardo
No fio de uma navalha encontrarei minha paz

ATO I

Chacais vagam pelo deserto
Do medo e da agônia
Os raios do sol que me aqueciam
Já não me aquecem mais, pois meu corpo agora é frio.
Alegria e loucura
Preenchem o vazio do meu dia hipócrita
O tempo tornou-se um tormento lento e fadigante.
No coração um enorme vazio,
Na mente o desencontro
As cortinas fecharam-se
Para o fim do primeiro ato
da minha vida vazia.

LONGA NOITE

A notite foi longa
No meio da escuridão
Senti a louca vontade de gritar
No céu voavam
Gralhas obscuras
Derreteu-se a parafina
Pouco a pouco
Esvai-se a vela
O fim sempre chega
Numa canção do velho blues do Delta
Não há lugar para aqueles quem não choram
A noite foi longa
Os pensamentos também.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ECOS

Das tumbas os corações
Da morte o amor
Da velha cadeira de rodas a agônia
Da tristeza a glória
Da guerra o sangue
Do nu o cru
Do fim o abismo
Da luz a solidão
Da sombra apática o medo
Do nada o eu
E mais nada.
Ecos...
Do ponto perdido
Da vontade louca
Da morte repentina
Das paredes mudas
Da vida.

ALMA DOCE

Alma eternamente doce
Pois como um flor que sempre nasce
Eu padeço na minha cruz.

PORÃO A DENTRO

A solidão bateu mais forte no maldito coração
São Paulo, infinito buraco perdido
Aonde esta a saída?
Sentimentos navalhas
Retalharam os pensamentos
Destino cruel
O que sou, além de um fantoche em chamas
Consumindo-se aos poucos
Destruição...
Amarga destruição
Aos poucos a vela derrete
Deixando nas entranhas do assoalho de madeira a sua marca
O porão percorrido
Um turbilhão de cores análogas ao cinza
Onde não permite saída.